quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um passo para a justiça

Dizia Mahatma Gandhi “a liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar”, por isso ai vou eu errando. É desta faculdade (não ter medo de errar) que vou inspirando-me e atribuir as minhas palavras. Mas não é para menos, alias, o faço ainda mais no gozo dos direitos que a Constituição da Republica de Moçambique, conferiu a mim (como cidadão) e ao povo (onde também faço parte), ao estabelecer que “todas as instituições do Estado, organizações, cidadãos, funcionários e agentes do Estado são chamados a fazer a sua parte”- em prol da legalidade.

Como disse Voltaire “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Eh, alto lá! Será que o senhor disse isso pensando em mim, ou se trata mera coincidência?


Bom, não sou obrigado a concordar consigo, mas você esta livre de pensar e expressar o que pensa, “liberdade”, até aqui tudo bem, alias, me
é conferido esse, “todos os cidadãos têm direito à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa, bem como o direito à informação” (artigo 48 da CRM).

Talvez seja nestes termos que o Presidente se inspirou porque, qualquer cidadão em pleno gozo das suas faculdades mentais “saudáveis”, não deixaria de o fazer, al
iás, em conformidade com mesmo dispositivo legal “todos os cidadãos têm o dever de respeitar a ordem constitucional”, coincidência ou não, num passado recente, um Juiz em Moçambique dissolveu um arguido, por sinal jornalista, acusado de calúnia e difamação, quando no gozo dos seus direitos e exercício pleno da sua actividade reportou um caso de interesse comum.


Por vezes certos dirigentes interpretam mal os termos “calúnia e difamação”. Calúnia é acusar alguém publicamente de um crime (se não tiver cometido), e difamação (se não tiver feito), de um acto desonroso. Ora, é um caso raro, mas uma vez acontecido, é caso para dizer, aleluia!
Quantas vezes ouvimos ou vimos, cidadãos condenados injustamente, alegadamente porque caluniaram dirigente (X), difamaram o director “Y”, ou porque injuriaram chefe “Y”?

Bem disse Pantie, a “sua absolvição representa a reposição da verdade e vitória da Imprensa moçambicana no seu todo, no que respeita às intimidações de que tem sido vítima da parte do poder político, principalmente nas províncias e nos distritos, longe de Maputo, onde esse tipo de atitudes ocorre com frequência”.


Portanto, encorajo aos demais jornalistas a não se deixar intimidar por que têm passado no exercício das suas actividades, mesmo que isso implique responder em juízo, afinal, temos juízes como João Gulherme.


Porém, aos mesmos, um apelo em relação aos conteúdos, a pertinência e impacto dos assuntos que reportam para a sociedade, pelo que independentemente do meio de divulgação do conhecimento, o seu valor está na qualidade da informação.

Dizia Kasse, que um dos maiores erros cometidos no planeamento de um projecto é o uso de “modismos” sem embasamento, sem a ideia clara da sua utilidade. Isso não se difere de ter a carroceria do último modelo de “Ferrari” mas com um motor de fusca e como se não bastasse inoperacional.

Etelvino José Armando

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