Nesta sequência, entende-se o voluntariado como sendo o conjunto de ações de interesse social e comunitário em que toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e do trabalho.
Independentemente do campo de ação do voluntário, ou seja, em qualquer tipo de actividades em que o voluntário estiver envolvido, ele é um sujeito com um perfil característico, com responsabilidades, deveres, direitos e como se não bastasse, o voluntário goza de certas vantagens em função do seu papel. Existem características comuns em todos os voluntários, tais como a proactividade; o comprometimento com todos os que intervém na actividade específica; uma capacitação e formação orientada para as activiadades que pretende desenvolver; motivação para o alcance dos objectivos; disponibilidade, polivalência, cooperação, espírito de tolerância; capacidade de adaptação e aprendizagem; solidariedade e espírito de trabalho em equipe, assim como ter uma linguagem cordial e acessível no relacionamento com os demais.
Evolução Histórica do voluntariado
O auge da divulgação e veiculação do voluntariado ocorreu no ano de 2001, por ocasião do ano internacional do Voluntariado proclamado pela Organização das Nações Unidas. A partir desta data, a todos os níveis o voluntariado conquistou uma importância social de forma indiscutível.
“A Humanidade deve ser entendida como uma irmandade e, como tal, todos os seres humanos devem-se considerar irmãos de todos os outros e, por isso, mostrar interesse em defender, não só os seus interesses, como também os do próximo. A manutenção da paz no mundo depende de todos nós, pois com ela estará assegurada a segurança de todos os seres deste planeta”. Até ao sec XX, em alguns países do mundo como por exemplo Portugal, o Voluntariado já era definido e regulado por legislação específica como sendo o “conjunto de acções de interesse social e comunitário realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas ou outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e das comunidades desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”.
O voluntariado tem a ver com o apoio que se dá de livre e espontânea vontade a qualquer ser, sem com isso esperar alguma vantagem material. Algumas correntes de opinião, consideram que o voluntariado existe desde o início dos tempos. Contudo, estes movimentos notabilizaram-se na história a partir do séc. XVII. Em 1688, após a destruição da cidade de Québec devido a um incêndio, quando foi criada uma associação denominada o “Bureau dês Pauvres”, constituída por pessoas que ajudavam sem querer nada em troca. Todavia, para além desta organização, foram surgindo muitas outras, com o mesmo propósito e, para atender e dar resposta a várias pessoas com necessitadas diferenciadas.
Por outro lado, na mobilização de voluntários, para além de olhar apenas para resultados da ação em si, existem alguns obstáculos com as quais as organizações se deparam, pelo que a mobilização por si só já é um grande desafio. Contudo, os desafios variam consoante o tipo do voluntarismo, pelo que este pode ser interpretado em várias perspectivas, a primeira a que percebe o voluntário como “instrumento de assistência”, em que o indivíduo é encorajado a se envolver em ações prontas, criadas por uma organização e, a outra a que vê no voluntário, “um agente e promotor” de suas próprias ações que age natural e espontaneamente sobre uma determinada realidade. Nas duas realidades concretas, pode se esperar resultados diferentes, pelo que quem age de livre e espontânea vontade pode vir a produzir muito mais do que aquele que é imbutido a ideia do espiríto voluntário.
Ora, certas vezes em programas de intercâmbios entre voluntários, assiste-se realidades controversas, dado que na maioria das vezes, voluntários que adiriram ao programa por iniciativa própria, são mais produtivos em relação aqueles que por alguma inércia, ou por alguma facilidade, acharam no programa uma facilidade para fazer turismo.
Uma outra realidade, é que os voluntários como “instrumentos de assistência”, facilmente se deslocam do propósito da actividade, ou seja, quem parte para uma actividade sem com ela se identificar, facilmente se irrita com o que faz e vezes sem conta pensa em desistir, e em contrapartida o trabalho não será perfeito. Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. (Confucio).
Responsabilidades, deveres e direitos do voluntário
Todavia, como qualquer actividade orientada para o alcance de certos objectivos acareta certas responsabilidades, o voluntário deve, contudo, ter em atenção as necessidades do próximo, ajudá-lo e ajudar-se a si mesmo; assumir as suas responsabilidades e ser acessível aos outros; ter consciência das suas aptidões e limitações; tentar ser amplo e estável na sua actividade; ser capaz de comunicar a informação e o conhecimentos obtidos e de avaliar o trabalho desenvolvido; procurar adoptar atitudes positivas e transmitir o seu entusiasmo e, estabelecer relações de trabalho positivas com os outros voluntários.
Mas porque o dia-a-dia do voluntário não se resume em responsabilides, ele é também um sejeito de direitos e deveres, de tal forma que lhe cabe a tarefa de respeitar os princípios por que se rege a actividade que realiza; respeitar as normas que regulam o funcionamento da entidade a que pertence; actuar de forma activa e solidária; participar nos programas de formação destinados aos voluntários; utilizar apropriadamente os recursos, os bens, o equipamento e os utensílios postos ao seu dispor; colaborar com os profissionais da entidade promotora; cumprir os compromissos realizados com as instituições; guardar, quando for necessário, confidencialidade da informação recebida e conhecida no desenvolvimento da actividade como voluntário; recusar qualquer benifício material que possa receber no exercicio da actividade, enquanto voluntário.
Por conseguinte, apesar de não serem renumerados, os voluntários têm que contar com algumas garantias, tais como: receber a informação,orientação, formação, apoio e meios materiais necessários para o exercício das suas funções; participar na elaboração, esboço, execução e avaliação dos programas; obter o respeito e reconhecimento pelo valor da sua contribuição social; dispôr de um cartão de identificação; para desempenhar bem a sua função terá que exercer em condições de segurança e higiene; estabelecer com a entidade promotora um programa de voluntariado cujo conteúdo, natureza e duração do trabalho que vai realizar sejam compatíveis com a vida do voluntário; opinar nas decisões da entidade promotora que afectem o desenvolvimento do seu trabalho; na medida em que a qualidade de oluntário equipara-se com a de associado, de membro dos corpos sociais e de beneficiário da entidade promotora onde se exerce o voluntariado.
Qual é a vantagem de ser voluntário? - embora parece não muito significativo, principalmente se for avaliado sob ponto de vista material. Pode se apontar como vantagens de ser voluntário por exemplo: adquirir e aperfeiçoar novas competências e conhecimentos; participar em cursos de orientação e formação interessantes; trocas de experiencias; poder optar entre o leque de tarefas e familiarizar-se com aqueles que provaram saber desempenhar bem a tarefa em situações advresas; aprender a ajudar os outros através de serviços comunitários; bem como participar em operações de socorro e apoio, aos necessitados sem, contudo, esperar algo em troca.
Que solução para a mobilização do voluntário?
Nas relações entre os seres, existe um elemento fundamental chamado comunicação, sem o qual os mesmos não se relacionam. Portanto, a comunicação é “um fenómeno inerente à relação que os seres vivos mantêm quando se encontram em grupo”.
Todavia, não basta que seja transmitida alguma informação, a mesma deve ser compreendida, ou seja a comunicação é o processo de transmitir a informacção e compreensão de uma pessoa para outra. A reciprocidade na troca de informacção é um elemnto fundamental, porque se não houver a compreensão, não ocorre a comunicação. Ora vejamos, se uma pessoa transmite uma mensagem e esta não for compreendida pelo receptor, diz-se que a comunicação não se efectivou. Em outras palavras, não houve comunicação.
Portanto, não basta que o supervisor de um grupo ou comunidade (de voluntários), transmita a informação, é preciso que os seus descípulos compreendam e se identifiquem com os propósitos da ação, antes de partir para o terreno (atuação).
“Vivemos em um paradigma de desesperança, em que as pessoas sentem que são impotentes contra a violação dos direitos ao seu redor. O voluntário acredita que, mesmo fazendo pouco, está transformando a sociedade e mostrando que todos nós podemos, sim, fazer alguma coisa”, Cenise Vicente.
By:
Etelvino José Armando
Whitehorse, 15 de Novembro de 2012