quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O voluntário

Nas sociedades actuais, o voluntário é a pessoa que realiza determinada ação de livre e espontânea vontade. Também é comumente interpretado com o significado de “trabalho sem fins lucrativos”.
Nesta sequência, entende-se o voluntariado como sendo o conjunto de ações de interesse social e comunitário em que toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e do trabalho.
In
dependentemente do campo de ação do voluntário, ou seja, em qualquer tipo de actividades em que o voluntário estiver envolvido, ele é um sujeito com um perfil característico, com responsabilidades, deveres, direitos e como se não bastasse, o voluntário goza de certas vantagens em função do seu papel. Existem características comuns em todos os voluntários, tais como a proactividade; o comprometimento com todos os que intervém na actividade específica; uma capacitação e formação orientada para as activiadades que pretende desenvolver; motivação para o alcance dos objectivos; disponibilidade, polivalência, cooperação, espírito de tolerância; capacidade de adaptação e aprendizagem; solidariedade e espírito de trabalho em equipe, assim como ter uma linguagem cordial e acessível no relacionamento com os demais.

Evolução Histórica do voluntariado

O auge da divulgação e veiculação do voluntariado ocorreu no ano de 2001, por ocasião do ano internacional do Voluntariado proclamado pela Organização das Nações Unidas. A partir desta data, a todos os níveis o voluntariado conquistou uma importância social de forma indiscutível.
“A Humanidade deve ser entendida como uma irmandade e, como tal, todos os seres humanos devem-se considerar irmãos de todos os outros e, por isso, mostrar interesse em defender, não só os seus interesses, como também os do próximo. A manutenção da paz no mundo depende de todos nós, pois com ela estará assegurada a segurança de todos os seres deste planeta”. Até ao sec XX, em alguns países do mundo como por exemplo Portugal, o Voluntariado já era definido e regulado por legislação específica como sendo o “conjunto de acções de interesse social e comunitário realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas ou outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e das comunidades desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”.

O voluntariado tem a ver com o apoio que se dá de livre e espontânea vontade a qualquer ser, sem com isso esperar alguma vantagem material. Algumas correntes de opinião, consideram que o voluntariado existe desde o início dos tempos. Contudo, estes movimentos notabilizaram-se na história a partir do séc. XVII. Em 1688, após a destruição da cidade de Québec devido a um incêndio, quando foi criada uma associação denominada o “Bureau dês Pauvres”, constituída por pessoas que ajudavam sem querer nada em troca. Todavia, para além desta organização, foram surgindo muitas outras, com o mesmo propósito e, para atender e dar resposta a várias pessoas com necessitadas diferenciadas.

Por outro lado, na mobilização de voluntários, para além de olhar apenas para resultados da ação em si, existem alguns obstáculos com as quais as organizações se deparam, pelo que a mobilização por si só já é um grande desafio. Contudo, os desafios variam consoante o tipo do voluntarismo, pelo que este pode ser interpretado em várias perspectivas, a primeira a que percebe o voluntário como “instrumento de assistência”, em que o indivíduo é encorajado a se envolver em ações prontas, criadas por uma organização e, a outra a que vê no voluntário, “um agente e promotor” de suas próprias ações que age natural e espontaneamente sobre uma determinada realidade. Nas duas realidades concretas, pode se esperar resultados diferentes, pelo que quem age de livre e espontânea vontade pode vir a produzir muito mais do que aquele que é imbutido a ideia do espiríto voluntário.
Ora, certas vezes em programas de intercâmbios entre voluntários, assiste-se realidades controversas, dado que na maioria das vezes, voluntários que adiriram ao programa por iniciativa própria, são mais produtivos em relação aqueles que por alguma inércia, ou por alguma facilidade, acharam no programa uma facilidade para fazer turismo.
Uma outra realidade, é que os voluntários como “instrumentos de assistência”, facilmente se deslocam do propósito da actividade, ou seja, quem parte para uma actividade sem com ela se identificar, facilmente se irrita com o que faz e vezes sem conta pensa em desistir, e em contrapartida o trabalho não será perfeito. Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. (Confucio).

Responsabilidades, deveres e direitos do voluntário

Todavia, como qualquer actividade orientada para o alcance de certos objectivos acareta certas responsabilidades, o voluntário deve, contudo, ter em atenção as necessidades do próximo, ajudá-lo e ajudar-se a si mesmo; assumir as suas responsabilidades e ser acessível aos outros; ter consciência das suas aptidões e limitações; tentar ser amplo e estável na sua actividade; ser capaz de comunicar a informação e o conhecimentos obtidos e de avaliar o trabalho desenvolvido; procurar adoptar atitudes positivas e transmitir o seu entusiasmo e, estabelecer relações de trabalho positivas com os outros voluntários.
Mas porque o dia-a-dia do voluntário não se resume em responsabilides, ele é também um sejeito de direitos e deveres, de tal forma que lhe cabe a tarefa de respeitar os princípios por que se rege a actividade que realiza; respeitar as normas que regulam o funcionamento da entidade a que pertence; actuar de forma activa e solidária; participar nos programas de formação destinados aos voluntários; utilizar apropriadamente os recursos, os bens, o equipamento e os utensílios postos ao seu dispor; colaborar com os profissionais da entidade promotora; cumprir os compromissos realizados com as instituições; guardar, quando for necessário, confidencialidade da informação recebida e conhecida no desenvolvimento da actividade como voluntário; recusar qualquer benifício material que possa receber no exercicio da actividade, enquanto voluntário.
Por conseguinte, apesar de não serem renumerados, os voluntários têm que contar com algumas garantias, tais como: receber a informação,orientação, formação, apoio e meios materiais necessários para o exercício das suas funções; participar na elaboração, esboço, execução e avaliação dos programas; obter o respeito e reconhecimento pelo valor da sua contribuição social; dispôr de um cartão de identificação; para desempenhar bem a sua função terá que exercer em condições de segurança e higiene; estabelecer com a entidade promotora um programa de voluntariado cujo conteúdo, natureza e duração do trabalho que vai realizar sejam compatíveis com a vida do voluntário; opinar nas decisões da entidade promotora que afectem o desenvolvimento do seu trabalho; na medida em que a qualidade de oluntário equipara-se com a de associado, de membro dos corpos sociais e de beneficiário da entidade promotora onde se exerce o voluntariado.

Qual é a vantagem de ser voluntário? - embora parece não muito significativo, principalmente se for avaliado sob ponto de vista material. Pode se apontar como vantagens de ser voluntário por exemplo: adquirir e aperfeiçoar novas competências e conhecimentos; participar em cursos de orientação e formação interessantes; trocas de experiencias; poder optar entre o leque de tarefas e familiarizar-se com aqueles que provaram saber desempenhar bem a tarefa em situações advresas; aprender a ajudar os outros através de serviços comunitários; bem como participar em operações de socorro e apoio, aos necessitados sem, contudo, esperar algo em troca.

Que solução para a mobilização do voluntário?

Nas relações entre os seres, existe um elemento fundamental chamado comunicação, sem o qual os mesmos não se relacionam. Portanto, a comunicação é “um fenómeno inerente à relação que os seres vivos mantêm quando se encontram em grupo”.
Todavia, não basta que seja transmitida alguma informação, a mesma deve ser compreendida, ou seja a comunicação é o processo de transmitir a informacção e compreensão de uma pessoa para outra. A reciprocidade na troca de informacção é um elemnto fundamental, porque se não houver a compreensão, não ocorre a comunicação. Ora vejamos, se uma pessoa transmite uma mensagem e esta não for compreendida pelo receptor, diz-se que a comunicação não se efectivou. Em outras palavras, não houve comunicação.
Portanto, não basta que o supervisor de um grupo ou comunidade (de voluntários), transmita a informação, é preciso que os seus descípulos compreendam e se identifiquem com os propósitos da ação, antes de partir para o terreno (atuação).

“Vivemos em um paradigma de desesperança, em que as pessoas sentem que são impotentes contra a violação dos direitos ao seu redor. O voluntário acredita que, mesmo fazendo pouco, está transformando a sociedade e mostrando que todos nós podemos, sim, fazer alguma coisa”, Cenise Vicente.

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Etelvino José Armando

Whitehorse, 15 de Novembro de 2012

Ai vai o meu pais, com politicas de, “vale apenas” sentir pena!



Os moradores de Albasine, Zimpeto e Guava afectados pelo traçado da estrada grande da “pequena circular” de Maputo não concordam com a zona onde serão reassentados. Quem con
cordaria em viver numa zona sem minimas condições de habitabilidade?

A luz do Artigo 11 da CRM, o Estado moçambicano tem como objectivos fundamentais: c) a edificação de uma sociedade de justiça social e a criação do bem-estar material, espiritual e de qualidade de vida dos cidadãos; d) a promoção do desenvolvimento equilibrado, económico, social e regional do país; e e) a defesa e a promoção dos direitos humanos e da igualdade dos cidadãos perante a lei.


Por conseguinte, no computo geral, distinguem-se como fins do Estado, a segurança, a justiça e o bem-estar.

Por seu turno, a segurança reveste várias modalidades. Pode se falar numa segurança interna e numa segurança externa. No primeiro caso, também usa-se a expressão ordem interna para significar a tarefa do Estado de assegurar, dentro das suas fronteiras, do seu território, a segurança dos seus cidadãos e, da população em geral. A segurança externa pretende significar a defesa da colectividade perante qualquer ataque do exterior. Para este caso concreto, importa-nos apenas o primeiro sentido da seguraça – “segurança interna”

Por outro lado, a Justiça destina-se a substituir o arbítrio nas relações entre os homens por regras que se destinam a estabelecer uma nova ordem. A justiça como fim do Estado abrange duas realidades distintas: a justiça comutativa, no âmbito da qual o Estado deve garantir nas relações entre os cidadãos a equivalência dos valores permutados; cada um deve receber de acordo com o que prestou a certo ou certos concidadãos. No âmbito da justiça distributiva cada cidadão deve receber da colectividade de acordo com o tipo de actividade produtiva que, de forma permanente, lhe prestou, ou em função da situação de carência em que se encontra.

A este nivel, urge questionar: com esta atitude do Estado, onde se enquadra a justica aplicada para as populações afetadas pelas obras da “pequena circular “de Maputo?

- se bem que para alem de melhorar a condição de vida das populações, transporta consigo dor, desespero, sensação de abandono, criando um clima de “salva quem poder” para os cidadãos.

Onde está Estado, responsável pelo bem-estar económico, social e cultural, que temo finalidade, proporcionar condições de acesso a bens e serviços considerados fundamentais para a comunidade. Por exemplo, a saúde, a educação, a segurança social?

Etelvino Jose Armando

Um passo para a justiça

Dizia Mahatma Gandhi “a liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar”, por isso ai vou eu errando. É desta faculdade (não ter medo de errar) que vou inspirando-me e atribuir as minhas palavras. Mas não é para menos, alias, o faço ainda mais no gozo dos direitos que a Constituição da Republica de Moçambique, conferiu a mim (como cidadão) e ao povo (onde também faço parte), ao estabelecer que “todas as instituições do Estado, organizações, cidadãos, funcionários e agentes do Estado são chamados a fazer a sua parte”- em prol da legalidade.

Como disse Voltaire “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Eh, alto lá! Será que o senhor disse isso pensando em mim, ou se trata mera coincidência?


Bom, não sou obrigado a concordar consigo, mas você esta livre de pensar e expressar o que pensa, “liberdade”, até aqui tudo bem, alias, me
é conferido esse, “todos os cidadãos têm direito à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa, bem como o direito à informação” (artigo 48 da CRM).

Talvez seja nestes termos que o Presidente se inspirou porque, qualquer cidadão em pleno gozo das suas faculdades mentais “saudáveis”, não deixaria de o fazer, al
iás, em conformidade com mesmo dispositivo legal “todos os cidadãos têm o dever de respeitar a ordem constitucional”, coincidência ou não, num passado recente, um Juiz em Moçambique dissolveu um arguido, por sinal jornalista, acusado de calúnia e difamação, quando no gozo dos seus direitos e exercício pleno da sua actividade reportou um caso de interesse comum.


Por vezes certos dirigentes interpretam mal os termos “calúnia e difamação”. Calúnia é acusar alguém publicamente de um crime (se não tiver cometido), e difamação (se não tiver feito), de um acto desonroso. Ora, é um caso raro, mas uma vez acontecido, é caso para dizer, aleluia!
Quantas vezes ouvimos ou vimos, cidadãos condenados injustamente, alegadamente porque caluniaram dirigente (X), difamaram o director “Y”, ou porque injuriaram chefe “Y”?

Bem disse Pantie, a “sua absolvição representa a reposição da verdade e vitória da Imprensa moçambicana no seu todo, no que respeita às intimidações de que tem sido vítima da parte do poder político, principalmente nas províncias e nos distritos, longe de Maputo, onde esse tipo de atitudes ocorre com frequência”.


Portanto, encorajo aos demais jornalistas a não se deixar intimidar por que têm passado no exercício das suas actividades, mesmo que isso implique responder em juízo, afinal, temos juízes como João Gulherme.


Porém, aos mesmos, um apelo em relação aos conteúdos, a pertinência e impacto dos assuntos que reportam para a sociedade, pelo que independentemente do meio de divulgação do conhecimento, o seu valor está na qualidade da informação.

Dizia Kasse, que um dos maiores erros cometidos no planeamento de um projecto é o uso de “modismos” sem embasamento, sem a ideia clara da sua utilidade. Isso não se difere de ter a carroceria do último modelo de “Ferrari” mas com um motor de fusca e como se não bastasse inoperacional.

Etelvino José Armando

“As futuras gerações estão sob ameaça: muitas crianças não vão à escola, aquelas que vão não têm uma educação de qualidade que lhes assegure um futuro sustentável. Multidões de jovens sem perspectivas, mergulhados no excesso de divertimento e de consumo de substâncias que distraem e entorpecem a mente, retardando e comprometendo a solução dos próprios problemas vitais e do futuro.

E mais (...),

por parte dos adultos, medo do compromisso, muito analfabetismo religioso, cívico, isto é, dos próprios direitos e deveres. E da parte da elite, tendência para excesso de individualismo, que vai a par e passo com a avidez desenfreada, fundada num espírito maquiavélico, e da queda generalizada dos valores éticos”.

Trecho da carta do “Bispo” Ernesto Maguengue.

Etelvino José Armando
(Activiste pour la Démocratie, la Bonne Gouvernance et Citoyenneté)

Um olhar risonho pelo meu País



Defendia num dos meus olhares risonhos ao País da Marrabenta, que so uma Sociedade civil activa, para salvar a democracia em Moçambique. Não é para menos, a verdade é que não precisa ter dois olhos, pele limpa, um bom tacto, narinas limpas etc, para sentir a dor do sistema de governação em Moçambique.

Hoje, muitas são as vozes a favor de uma posição firme e coesa,
a favor da democracia, boa governação e cidadania em Moçambique. Intitulado “O Percurso e Desafios para Moçambique”, na palestra recentemente realizada em Nampula, o oradaor, alertou aos estudantes e docentes presentes para a necessidade do exercício pleno da cidadania através da pressão e crítica ao Executivo para uma boa governação.

Portanto, acredito que esta (Sociedade organizada) é uma das melhores saidas que o povo encotra para pressionar o Executivo, a dar resposta as suas inquietações, sem contudo, implicar manifestações coercivas, sangrentas, e por vezes mortíferas.

by:
Etelvino Jose Armando
"Activist for Democracy, Good Governance and Citizenship"